Morreu na Corunha um dos maiores armadores espanhóis: Henrique Vilariño

Morreu na Corunha um dos maiores armadores espanhóis: Henrique Vilariño

Nautica Digital Europe Competição Esportes Destacado História Vela

Se a semana passada nos deixava uma das armadoras de maior carisma da vela da Galiza: Ana Longueira (esposa de Manolo Branco e co-armadora da saga dos Salseiro); hoje tivemos outra triste notícia também procedente do Real Club Náutico da Corunha, pois faleceu Henrique Vilariño de Llano, armador dos lendários Mascatos junto com sua esposa María Luisa Durán Tojeiro; e que conseguiram no ano 1977 uma das maiores gestas da vela espanhola de todos os tempos... pois seu grande projeto do Manzanita... atingia a glória em águas finaisas de Helsinki... ao conseguir para Espanha o primeiro título de vela de cruzeiro de sua história. Como homenagem ao grande padrão coruñés, publicamos em sua lembrança o artigo, que há vários anos viu a luz em Náutica Digital... como gesta de alcance da vela pesada espanhola. Descanse em paz, e um forte abraço para toda sua família e o Real Club Náutico. Hoje a vela galega e espanhola estão de luto.

Liderado por Enrique Vilariño; Manzanita consegue o primeiro Mundial de Cruzeiros para Espanha

A vitória do "Manzanita" em Helsinki em 1977, marcou um antes e um depois para a vela espanhola

No final de 1976, um grupo de fãs da vela entusiastas liderados por Enrique Vilariño, encarregam o grande Ron Holland, no topo de sua carreira a nível internacional naqueles anos, um design que marca estilo dentro da cada mais popular e competitiva classe de "Quarter Ton" (barcos IOR de uns 8 metros de eslora com um rating level class de 18.5). Holland (que naqueles anos era o arquiteto naval number one mundial em projetos de “puras sangues”) tinha muito pouco tempo sem compremeter, pois estava ultimando seus desenhos para a Admiral ́s Cup. Ele resistiu a Vilariño e seu grupo,..., mas no final cedeu e aceitou enfrentar o projeto do novo "quarter ton".

Enrique Vilariño artífice do projeto "Manzanita", recebendo da Liga Naval a Medalha de Cavaleiro do Ancla em sua categoria de prata, por seus méritos como empresário do setor naval, no qual continuou a tradição familiar como armador e consignatário de navios na Corunha, bem como por fazer possível em 1976-1977 o grande projeto "Manzanita"

Com o tempo mais que justo os moldes se fabricavam na Inglaterra e chegavam à Espanha em maio de 1977. O primeiro "Mazanita" da série se construía em menos de um mês, e era "chevava a roupagem de Andersen", que se foi à Corunha provar as velas,..., o sucesso foi tal que sobre a marcha decidia viajar para a Finlândia para participar na Quarter Ton Cup sem apenas tempo. Os trabalhos eram a destajo e em 11 de julho o navio era carregado rumo a Helsinki: uma viagem de mais de 2.000 km., o trecho final do transporte foi realizado no super-ferry «Finnjet» que atingia a friolera naquele tempo de 32 nós!.

Sortou todos, primeiro o que Henrique Vilariño convenceu Ron Holland. Depois que reunisse uma tripulação, de sonho. E, por último, que conseguisse chegar a tempo,

Se Ib Andersen o tinha convencido Henrique na Corunha, outro que se deixou liar foi o magistral Rodney Pattisson que chegava a Helsinki desde a Inglaterra acompanhado por seu homem de confiança F.D.Peter, que fez as vezes de tripulante em terra. Por outro lado, Ramón Balcels e sua esposa Ana, assim como Machaco de Llano o faziam desde Galiza. A falta de dois dias somente, Ib chegava com as velas novas,..., e a provar o "Manzanita" que surpreendeu todos pela sua velocidade.

No Mundial, um ambiente fantástico, com 53 navios em competição e 12 países diferentes, entre os quais estavam o Japão, a Argentina e os EUA, amém de muitos da Europa. Os favoritos a priori, «Fun» (EUA), «Butterfly» (Suécia) e «Z» (Finlândia),..., os espanhóis eram os candidatos à surpresa. O debu do navio espanhol o sonhador: conseguiam ser terceiros, apesar de ir de segundos toda a regata. Sendo a vitória parcial para o "Fun" americano e o segundo para "Charli Papa Due" italiano.

O segundo teste era um triângulo olímpico, e chega a machada do navio herculino, ao conseguir vencer pela frente do "Charli Papa Due" e o francês "Beret de Paulette",... os americanos não acreditavam. A regata média era a terceira, a luta foi terrível entre o "Mazanita" e um navio que parecia mais um half ton do que um "quarter", o "Butterfly" projetado por Peter Norlin (o designer dos lehgendarios Scampi). A regata supôs depois de mais 29 horas de regata,..., o "Manzanita" ganhava, cruzando a chegada apenas 40 metros pela frente de seu rival.

A imprensa espanhola seguiu com interesse o feito do "Manzanita". Valga o exemplo da ABC e do Mundo Deportivo... era a maior gesta da vela pesada espanhola até esse momento. O primeiro título de cruzeiros mundiais veio para o nosso país.

Com "Manzanita" como líder, arrancava a quarta manga que era um percurso também olímpico. Rodney Pattison tinha metido entre ceja e ceja ao "Butterfly" e mandou-o marcar toda a sua regata, o que provocava que somente se conseguisse a terceira posição, por trás de "Charlie Papa Due" e "Beret de Paulette", o título mundial estava em perigo a falta de uma regata: a longa com suas 200 milhas, na qual aguardava aos espanhóis uma má notícia: a baixa de Ib Andersen que se marchava para a Inglaterra para participar na Admiral ́s Cup, na qual tinha o compromisso assinado. Ele substitui a mão direita de Ron Holland: Buch.

O pouco vento a meio percorrido provoca os primeiros abandonos, quando "Manzanita" está na metade da frota,..., mas pouco começa a recuperar quando salta o vento conseguindo chegar à penúltima baliza do percurso em 8o lugar,..., continua recuperando posições para a falta de 10 milhas ocupar o 6o lugar. No final é 4o na chegada, por trás de «Fun», «Charli Papa Due» e o holandês «Balletan». A expedição espanhola é recebida em porto aos gritos de Viva Espanha!, diante da presença do embaixador de Espanha na Finlândia.

Curiosidades da Quarter Ton Cup 1977:

1-«Fun» dos EUA chegou ao aeroporto de Helsinki a bordo de um Jumbo 747 charteado ao efeito.
2-Cada vez que alguém precisava se aproximar do Clube tinha que pagar 60 pesetas, pois estava em uma ilha. Os tripulantes a armaram indignados com esta taxa sem sentido.
3-Não houve nem um dia de sol. Tudo chuva.
4-Caríssimo tudo. Era melhor imaginar que se pagava em pesetas em vez de coroas: cerveja 100 pesetas, lanche frio 200. Em Espanha, em 1977, uma cerveja custava 20 pesetas e uma bocata 50 ao máximo,...
5-A Organização de outro mundo. Fabulosa no mar se um erro.
6-As regatas média e longa entraram em águas soviéticas. Foi a primeira vez que a Rússia permitiu algo parecido. Nestas costas russas estava Tallín, que receberá a Olimpíada em 1980.
7-Muitos projetos de famosos no Mundial: Holland, Norlin, Peterson, Elvstron, Dufour, Van de Stad,...
8- 40% dos navios participantes eram de orza abatível e 60% de acasalamento 7/8.
9-«Manzanita» (casco de fibra de vidro, maistil Hensa, Velas Andersen), o «Beter de Paulette» (casco de madeira moldada a frio, maistil Z-Spar, Velas Cheret), «Butterfly» (casco de fibra com Airex, maistil Selden e Velas Horizon).
10-Os heróis do "Manzanita", Ramón Balcels, Machaco de Llano, Rodney Pattison e Ib Andersen que foi substituído pelo Butch Smith. O Jefazo, Henrique Vilariño.

Texto: Manuel Pedro Seoane
Material: Arquivo Família Vilariño

Nossos Parceiros