
"Zoe Mai" do alemão Van der Horst uma joia baseada no passado na Copa do Rei de Mahón
"Zoe Mai" do alemão Van der Horst uma joia baseada no passado na Copa do Rei de Mahón
É a primeira vez que o "Zoe Mai" do armador germano Jan Van der Horst, compite na Copa do Rei Vela Clássica Menorca... A história deste navio 'vikingo' - o seu design e a sua linha foram tirados de um livro do Museu de Oslo - merece atenção por ter sido construído por uma única pessoa - o próprio armador - e pela sua inclusão especial no n.o de Clássicos, onde com caráter geral só competem barcos botados entre 1950 e 1975.
No aspecto pessoal, Jan van der Horst (Kiel, setembro 1965) conta que é “um elo mais” de uma família alemã marinera com ascendência norueguesa... "em Laboe, um pueblecito próximo a Kiel, comecei a construir meu sonho... - um dia quero construir-me um barco, mas quero fazê-lo sozinho, sem pressas, e ao meu gosto, disse-me, e, olha, cumpli o objetivo", conta orgulhosa o padrão do Zoe Mai.
Van der Horst deixou Kiel e em 1991 foi para a Noruega. Ali se apaixonou do protótipo Double Ender, "o design vikingo por antonomasia... o afamado designer norueguês Sigurd Herbern deu nome a este tipo de navio", pontualiza Van der Horst. E “com tudo claro” o padrão voltou à Alemanha.
A construção do Zoe Mai prolongou-se desde 1995 até 2003. Fez-se na Alemanha com madeiras locais”, especifica van der Horst. “Não queria madeira tropical”, esclarece. "Você sabe, manias de alemães..."
Van der Horst calcula que o valor atual de seu navio é de cerca de 400.000 euros, embora sentimentalmente não tenha preço... a tripulação é formada por um australiano, um mallorquín, um alemão e uma catalã, Eva, que é “A verdadeira comandante, embora exerce de trimmer, tanto em proa como em popa”.
O navegante alemão, que há quatro anos mantém aberto em Palma o atelier de mestre d’aixa denominado ‘Manos del mar’, explica que no ano passado decidiu levar o Zoe Mai a Maiorca. Ao não estar adscrito a nenhum Clube Náutico, o Zoe Mai compite, pela primeira vez em Mahón, na categoria Clássicos, com a bandeira alemã como distintivo.
A inclusão do Zoe Mai nesta classe deve-se, segundo o presidente da Associação Espanhola de Barcos de Época e Clássicos (AEBEC), Leonardo García de Vincentiis, a que “embora não tenha sido construído entre 1950 e 1973 como marca o regulamento de Clássicos, é feito exatamente como o resto de barcos dessa classe, é um calco, uma réplica pura, tanto em design como em materiais”.
García de Vincentiis, que se declara um romântico dos barcos, afirma alguém do Zoe Mai lhe contou um dia que, talvez, a madeira deste navio foi cortada segundo marca a tradição, "isto é, em noites de lua cheia do mês de abril, quando a linfa do vegetal do norte da Europa é mais densa, mais saudável, mais robusta..." Até tal ponto chegou o empenho de Van der Horst por respeitar o espírito da vela clássica.
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